É estranha a sensação de encontrar uma pessoa depois de muito tempo sem vê-la.
Ainda mais quando no passado você admirou e idealizou aquela pessoa.
Sabendo que você a admirava, a pessoa esnobou e até humilhou você.
Com o tempo, com as voltas que a vida dá, o encontro mostra que tudo que você admirava era uma projeção de você mesmo, que sem o investimento da sua energia aquela pessoa não é nada.
Ou pior, um vacilão, um bobo, um vazio.
Se soubesse disso você não teria perdido tanto tempo, tanta energia pensando ou se interessando pela tal pessoa.
Mas, eu acho que muita coisa ou quase tudo dessa vida acontece porque a gente não sabe no que vai dar, não sabe a verdade por trás das coisas.
Tudo depende do que a gente acredita no momento em que as coisas estão acontecendo.
Freshsqueezed
sexta-feira, 25 de maio de 2012
domingo, 20 de maio de 2012
Um domingo diferente
Hoje foi um dia diferente para mim. Muito diferente mesmo.
Às três e meia da tarde resolvi sair e tentar aproveitar o que ainda me restava de domingo.
Pensei em ir até o Centro de Cultura Judaica para ver os desenhos de guerra de Lasar Segall.
Às três e meia da tarde resolvi sair e tentar aproveitar o que ainda me restava de domingo.
Pensei em ir até o Centro de Cultura Judaica para ver os desenhos de guerra de Lasar Segall.
Fui de metrô, me sentindo um pouco turista na minha cidade. Gosto tanto desta sensação.
A exposição provoca sentimentos fortes na gente. Algumas pessoas choravam discretamente.
Fiquei olhando para aquelas imagens de seres humanos desprovidos da sua humanidade, da sua dignidade, atrás de cercas de arames farpados, com o olhar vazio de sentido. Mães, com seus filhos mortos no colo, olhando para o céu, implorando por uma resposta. Pessoas empilhadas no abandono.
Pensei comigo, será que Deus não estava vendo isso?
No mesmo instante me lembrei de um artigo de jornal que havia lido nesta mesma manhã, contando sobre um Rabino de São Paulo, adorado por seus amigos e pelas pessoas que o procuram em busca de conselhos. Mesmo na maior de todas as provações, eles se mantiveram unidos pela fé, pensei. Mas este pensamento não me confortou. Era um paradoxo difícil de elaborar.
Segui outra vez para o metrô, com pensamentos pulando na cabeça.
Desci na Paulista, a praia do paulistano, queria tomar uma água e um café.
Passei em frente a um cinema onde estava passando este filme:
O Exótico Hotel Marigold.
Comprei meu ingresso e vi que ainda tinha uma hora até o filme começar. Descendo umas escadas encontrei um café, e melhor, uma mesa para sentar. Tomei meu café, comi meu lanchinho bom, com alface bem fresquinho, tomates, peito de peru e queijo branco.
O filme é daqueles que a gente adora e passa a comentar com todo mundo.
A atriz Judi Dench é simplesmente maravilhosa.
Adorei.
Mas, nem tudo foi alegria.
Enquanto eu estava olhando uma barraquinha de bijuterias, um homem se aproximou de mim, colocou o braço em volta do meu ombro, me deu um beijo babado no rosto e sussurrou no meu ouvido: eu sou aidético. Imediatamente me pediu dinheiro. Dei um real e ele se foi.
Fiquei atordoada por uns instantes. Minha cabeça já estava confusa e ficou ainda mais.
Porque, em meio a tantas pessoas, aquele homem foi chegar justo em mim?
Zero resposta.
Nem parece que foi só uma tarde de domingo, cheia de paradoxos, diversa em sensações.
Vivi.
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Woke up this morning
Hoje quando acordei, um trecho de uma música do Gil pipocou na minha cabeça e fazia todo sentido:
Meu caminho pelo mundo eu mesmo traço
A Bahia já me deu régua e compasso
Quem sabe de mim sou eu
Prá você que me esqueceu, hum
AQUELE ABRAÇO!!!!!
É tão bom quando um artista expressa aquilo que vai na nossa alma.
Meu caminho pelo mundo eu mesmo traço
A Bahia já me deu régua e compasso
Quem sabe de mim sou eu
Prá você que me esqueceu, hum
AQUELE ABRAÇO!!!!!
É tão bom quando um artista expressa aquilo que vai na nossa alma.
terça-feira, 15 de maio de 2012
terça-feira, 8 de maio de 2012
Uma história antiga
Ele dizia que me amava e eu acreditava.
Ele era lindo, loiro e tinha um sorriso sedutor.
Entre um beijo e outro me dizia que não gostava dos caretas e que nunca, nunca, nunca se casaria. Entre todas as caretices, o casamento era a maior delas.
Falava sem parar, era prolixo. Gostava de rock, de desenhos abstratos, de pescaria, entre outras mil coisas.
Dividido entre o amor e o gosto por aventuras, um dia ele foi embora. Queria viver tudo, experimentar tudo, ver qual era da vida.
Fiquei parada, imobilizada com o choque, muito triste, mas continuei com a minha rotina de ir para a escola, conversar com as amigas, ler e ouvir música.
Sempre que olhava para as estrelas nas noites frias pensava nele e imaginava que o script da minha vida tinha se danado para sempre. O roteiro que imaginei tendo ele como protagonista não contava com a sua desistência prematura.
Fiquei perdida.
Por mutos e muitos anos, meses, dias, horas intermináveis fiquei vagando no espaço infinito.
A vida se transformou num blá, blá, blá, blá, blá enfadonho.
Numa tarde ensolarada de outubro, enquanto eu esperava o ônibus para voltar para casa depois de ter ido à papelaria, meu passeio preferido, ouvi alguém me chamando. Era ele. A mesma beleza, o mesmo sorriso, o mesmo cabelo loiro, só que agora longo e o mesmo jeito de se aproximar, me convidando para tomar um café.
Hipnotizada, resgatada por alguns instantes da vastidão do espaço onde me encontrava perdida, segui seus passos.
Ele começou a falar, me atualizando das aventuras recentes e de repente ficou sério. Disse que estava com casamento marcado para dali há uns três meses.
A incredulidade tomou conta do meu rosto, não consegui disfarçar, não consegui falar, não queria que aquele momento acabasse. Queria congelar aquele rosto sorridente me dizendo: vou me casar, vou me casar.
Diante da minha paralisia momentânea, ele me pegou pela mão e me levou de volta ao ponto de ônibus. Apertou a minha bochecha e esboçou um adeus.
Do fundo das minhas entranhas surgiu uma força e pude dizer, com uma voz sufocada, eu ainda amo você.
Ele sorriu, baixou a cabeça, fez meia volta e foi embora outra vez.
No horizonte o sol se punha, deixando o céu todo vermelho. Uma briza fira tomou conta do começo de noite que se anunciava. As estrelas começaram a pipocar.
Os ônibus passavam levantando poeira, queimando meus olhos, transtornando meus pensamentos, me jogando de volta para o espaço vazio, numa violência sem resistência.
Nem sei como voltei para casa, mas, como de costume voltei à rotina obediente.
Meu uniforme pendurado no espaldar da cadeira do meu quarto, meu agasalho, meu sapato com a sola gasta de um lado por causa do meu andar esquisito, minhas meias três-quarto, meu fichário necessitando passar à limpo as últimas aulas, meu livro e minha agenda gasta. Minha caminha de solteiro, meu travesseiro velhinho, meu cobertorzinho de criança, meu pijama de flanela, o despertador programado para seis da manhã, meu rádio, tudo ali, aguardando a minha vida para seguir em frente, existindo.
As músicas me confortavam mais do que qualquer falatório leviano.
Meu repertório de palavras era pequeno demais para expressar meus sentimentos. Meus sentimentos eram devastadores demais para encontrar expressão. Uma viagem lisérgica seria um punzinho perto dos gases que fermentavam dentro da minha cabeça.
A vida estava tão perto dos meus olhos e tão longe do alcance das minhas mãos.
O tempo passou e recebi um convite para uma longa viagem.
Nada mais conveniente para alguém que estava perdida, afinal um destino. Fui.
Depois de uns meses voltei comprometida com outra pessoa. Não era amor, nem mesmo havia grande afinidade, mas cabia bem nas minhas circunstâncias.
Foi quando soube que a minha sufocada declaração de amor no meio da poeira havia mexido com as frágeis convicções de casamento dele que acabou desistindo e que quando ele enfim havia voltado a me procurar eu já havia partido em viagem.
Desencontros. No meu script havia desencontro e com isso eu não contava.
Nas circunstâncias em que me encontrava e nas quais tolamente acreditava, não havia mais nada que pudesse ser feito.
Por mais que me doesse o desencontro, agora eu tinha uma âncora me mantendo firme no chão.
O espaço infinito enfim havia ficado distante e a vida se anunciava com o chão da realidade.
Chão no qual eu me ralei, mas esta é uma outra história, que vai ficar para depois.
Ele era lindo, loiro e tinha um sorriso sedutor.
Entre um beijo e outro me dizia que não gostava dos caretas e que nunca, nunca, nunca se casaria. Entre todas as caretices, o casamento era a maior delas.
Falava sem parar, era prolixo. Gostava de rock, de desenhos abstratos, de pescaria, entre outras mil coisas.
Dividido entre o amor e o gosto por aventuras, um dia ele foi embora. Queria viver tudo, experimentar tudo, ver qual era da vida.
Fiquei parada, imobilizada com o choque, muito triste, mas continuei com a minha rotina de ir para a escola, conversar com as amigas, ler e ouvir música.
Sempre que olhava para as estrelas nas noites frias pensava nele e imaginava que o script da minha vida tinha se danado para sempre. O roteiro que imaginei tendo ele como protagonista não contava com a sua desistência prematura.
Fiquei perdida.
Por mutos e muitos anos, meses, dias, horas intermináveis fiquei vagando no espaço infinito.
A vida se transformou num blá, blá, blá, blá, blá enfadonho.
Numa tarde ensolarada de outubro, enquanto eu esperava o ônibus para voltar para casa depois de ter ido à papelaria, meu passeio preferido, ouvi alguém me chamando. Era ele. A mesma beleza, o mesmo sorriso, o mesmo cabelo loiro, só que agora longo e o mesmo jeito de se aproximar, me convidando para tomar um café.
Hipnotizada, resgatada por alguns instantes da vastidão do espaço onde me encontrava perdida, segui seus passos.
Ele começou a falar, me atualizando das aventuras recentes e de repente ficou sério. Disse que estava com casamento marcado para dali há uns três meses.
A incredulidade tomou conta do meu rosto, não consegui disfarçar, não consegui falar, não queria que aquele momento acabasse. Queria congelar aquele rosto sorridente me dizendo: vou me casar, vou me casar.
Diante da minha paralisia momentânea, ele me pegou pela mão e me levou de volta ao ponto de ônibus. Apertou a minha bochecha e esboçou um adeus.
Do fundo das minhas entranhas surgiu uma força e pude dizer, com uma voz sufocada, eu ainda amo você.
Ele sorriu, baixou a cabeça, fez meia volta e foi embora outra vez.
No horizonte o sol se punha, deixando o céu todo vermelho. Uma briza fira tomou conta do começo de noite que se anunciava. As estrelas começaram a pipocar.
Os ônibus passavam levantando poeira, queimando meus olhos, transtornando meus pensamentos, me jogando de volta para o espaço vazio, numa violência sem resistência.
Nem sei como voltei para casa, mas, como de costume voltei à rotina obediente.
Meu uniforme pendurado no espaldar da cadeira do meu quarto, meu agasalho, meu sapato com a sola gasta de um lado por causa do meu andar esquisito, minhas meias três-quarto, meu fichário necessitando passar à limpo as últimas aulas, meu livro e minha agenda gasta. Minha caminha de solteiro, meu travesseiro velhinho, meu cobertorzinho de criança, meu pijama de flanela, o despertador programado para seis da manhã, meu rádio, tudo ali, aguardando a minha vida para seguir em frente, existindo.
As músicas me confortavam mais do que qualquer falatório leviano.
Meu repertório de palavras era pequeno demais para expressar meus sentimentos. Meus sentimentos eram devastadores demais para encontrar expressão. Uma viagem lisérgica seria um punzinho perto dos gases que fermentavam dentro da minha cabeça.
A vida estava tão perto dos meus olhos e tão longe do alcance das minhas mãos.
O tempo passou e recebi um convite para uma longa viagem.
Nada mais conveniente para alguém que estava perdida, afinal um destino. Fui.
Depois de uns meses voltei comprometida com outra pessoa. Não era amor, nem mesmo havia grande afinidade, mas cabia bem nas minhas circunstâncias.
Foi quando soube que a minha sufocada declaração de amor no meio da poeira havia mexido com as frágeis convicções de casamento dele que acabou desistindo e que quando ele enfim havia voltado a me procurar eu já havia partido em viagem.
Desencontros. No meu script havia desencontro e com isso eu não contava.
Nas circunstâncias em que me encontrava e nas quais tolamente acreditava, não havia mais nada que pudesse ser feito.
Por mais que me doesse o desencontro, agora eu tinha uma âncora me mantendo firme no chão.
O espaço infinito enfim havia ficado distante e a vida se anunciava com o chão da realidade.
Chão no qual eu me ralei, mas esta é uma outra história, que vai ficar para depois.
domingo, 6 de maio de 2012
Um grande fiasco
Isso foi o mais perto e foi tudo que consegui fazer no sábado à noite, quando sai de casa na maior expectativa de encontrar uma comida de chefe de cozinha para comer.
Fizeram uma divulgação tão grande, falaram tanto que juntou uma multidão no Minhocão. Todo mundo querendo ver o Alex Atala de perto e provar da sua famosa galinhada.
Porém, o chefe preparou uma quantidade irrisória de comida, o suficiente para quinhentas pessoas. Distribuiu senhas e aguardou o momento de abrir os trabalhos.
Enquanto isso as pessoas foram chegando, muitas, muitas pessoas.
Em todo Minhocão havia apenas uma frágil barraquinha de comida e dentro dela cozinheiros tremendo de medo da reação do público que se avolumava em volta.
O cheiro da comida começou a se alastrar aumentando a salivação da massa.
Quando a comida ficou pronta e foi servida, o povo avançou e em menos de três segundos acabou. Quem pagou, quem não pagou não importou. Somente quem estava ali na frente, colado na barraquinha, pode comer.
O chefa acabou sendo vaiado pelo povo. Ainda bem, porque eu estava imaginando uma verdadeira catástrofe e a vaia pelo menos não feriu ninguém. Só o ego do chefe, talvez.
Eu, que já estava com fome, tive que fazer o trajeto todo de volta para casa à pé, já imaginando o que eu comeria quando chegasse. Acabei queimando a mão na panela. Queimadura pequena, mas doeu.
Só não fiquei muito frustrada porque a noite estava agradável, fui curtindo a caminhada na ida e na volta, olhando para a lua cheia, ouvindo as conversas do pessoal, conversando com quem estava por perto e percebendo que numa meia noite de um sábado, eu estava lá fora, passeando.
O que aconteceu foi um planejamento mal feito, excesso de expectativas, curiosidade em massa que resultou num passeio bom.
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Animal
Depois de uns dez dias de molho por causa da gripe, melhorei e desde ontem comecei a sair de casa.
Fui a Livraria da Vila, no lançamento do livro da Fal e adorei revê-la depois de tanto tempo. O livro é bom demais.
Encontrei a Gi, conversamos um pouco, menos do que eu gostaria, pois eu tinha aula e não podia faltar.
Na escola encontrei uma professora que gosto muito e que vai dar aulas nesse bimestre.
Hoje, com o sol de volta no céu azul, depois de uma semana de nuvens cinzentas, resolvi sair à tarde e ir até a Paulista, ver a exposição do Angeli.
A exposição é muito, muito animal. Tem que ser essa gíria mesmo para defini-la.
No caminho encontrei um amigo que adoro, que sabe dar um abraço gostoso demais.
Fui e voltei de metro. Estava precisando andar pela rua, tomar um pouco de sol, ver muita gente.
Gosto tanto da sensação de anonimato que sinto andando pelas ruas de São Paulo. É só uma sensação, porque na verdade encontrei várias pessoas, como há muito tempo não acontecia.
Amanhã vou até a Praça Benedito Calixto.
Update: A Praça Benedito Calixto não é mais aquela. Não empolgou. Muita gente, muito barulho, muita sujeira por nada.
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